Entrevista com Milene Domingues

por Guilherme Estevão, São Paulo - 7 de junho de 2019

Foto Corinthians Futebol Feminino – Milene Domingues

Hoje começa a Copa do Mundo de futebol feminino, com o jogo de abertura entre França e Coréia do Norte, no Estádio Parc dos Princes, em Paris. A partida é válida pelo Grupo A. Pela primeira vez, a competição terá transmissão pela TV Aberta no Brasil. A seleção brasileira está no Grupo C e faz sua estreia do domingo, às 10h30 (horário de Brasília), diante da Jamaica, no Stade des Alpes, em Grenoble.

Em entrevista à rádio Voz do Esporte, a ex-jogador e comentarista Milene Domingues aponta que outras seleções chegam à competição mais preparadas do que a equipe brasileira. “Nossa seleção é de talentos. A Marta é a única jogadora do mundo, entre homens e mulheres, a ganhar seis vezes como melhor do mundo em sua modalidade no futebol. Temos futebol, talento e mão de obra, mas infelizmente não houve o crescimento que outros países tiveram. Uma constância de campeonatos, de seleções que se prepararam melhor”, disse.

Milene Domingues também ressalta que o futebol feminino é uma modalidade já consolidada nos EUA e cita o crescimento de outras equipes adversárias ao longo dos anos. A ex-jogador aponta a Espanha como uma potência atual no futebol feminino e diz que a França também está em ascensão. “A Itália é um país que vem se preparando bem. A própria Austrália que vamos enfrentar. Jamaica é o seu primeiro ano de Copa do Mundo. Então, vários outros países foram crescendo no futebol feminino. O que falo é que o Brasil será uma grande potência, mas precisamos continuar trabalhando”, afirmou.

Evolução da modalidade no Brasil

O ano de 2019 é considerado especial para o futebol feminino no Brasil. A CBF obrigou todos os clubes da primeira divisão masculina, do Campeonato Brasileiro, a terem equipes femininas profissionais e de base.  A categoria também ganhou um novo campeonato no calendário, o Brasileirão Sub-18, a primeira competição de base do futebol feminino criada e organizada pela CBF. De acordo com dados da CBF, ao todo serão 344 partidas de futebol feminino em 2019 no Brasil. São três competições: o Brasileirão Feminino A-1, o Brasileirão Feminino A-2 e o Brasileirão Sub-18.

Milene Domingues atuou entre 1995 e 2008, com passagens pelo Corinthians, futebol espanhol e seleção brasileira. Para a ex-jogadora, a infraestrutura foi o que mais mudou da época que jogava para os dias atuais. “Treinávamos no terrão. Hoje o terrão é society. Nosso Sub-17 treina nessas quadras. Atualmente as garotas podem viver disso, a profissão delas é ser jogadoras de futebol. Na minha época, era uma ajuda de custos. Gasolina, metro, enfim”, conta Milene que também pontua a evolução das categorias de base.  “A base no esporte é fundamental. Hoje temos campeonatos Sub-17. Por exemplo, o Centro Olímpico que é um time de referência de base, tem Sub-9”, conta. “Tanto física, de campo, vestiários, comissão técnica, quanto a peneiras, a campeonatos consolidados, a federações que estão apoiando. A CBF que apoia. A Fifa que apoia. Enfim, na nossa época, 96 e 97, não isso não existia”, pontua Milene.

Apesar dessa evolução, a comentarista afirma que ainda falta investimento na modalidade. “Estamos vendo um reconhecimento e aceitação. Eu vejo que a modalidade tem cada vez mais praticante. Tudo isso melhorou demais, mas o investimento continua um pouco mais atrasado quanto a isso”.

Convite da TV Globo

Milene Domingues será uma das comentaristas da Copa do Mundo de futebol feminino da TV Globo. A ex-jogadora revela que foram um bom tempo de negociação e testes e que só anunciou o interesse do veículo quando assinou o contrato. “Foram meses de conversa. De pouco a pouco vendo se me encaixava também. Porque às vezes a pessoa também gosta, faz bem, mas não se encaixa no perfil da emissora, do evento e com as pessoas que já estão ali (na emissora). Eles já têm um time de comentaristas, mas foi tudo OK. E aí eu me segurando, porque não podia falar. Era uma coisa minha, de segurar até o momento da assinatura. Tanto que no dia que consegui falar e postar (nas redes sociais) foi uma sensação de liberdade, porque gostaria muito e queria muito compartilhar isso com todo mundo, com as pessoas que torcem por mim, minha família. Enfim, foi espetacular”, disse.

A primeira vez que atuou como comentarista foi na Itália em uma mesa redonda chamado ‘Controcampo’.  “Foi impressionante a audiência, eu era casada com o Ronaldo e nunca teve uma situação de uma esposa de jogador falar, em um lugar super machista, em um país super machista, e me contrataram”, conta Milene que também comentou em programa da Espanha ‘Quatro’ e  na Copa do Mundo de futebol masculino em 2010 .

Ivan Moré desejou boas-vindas a Milene Domingues/ Reprodução Instagram/

Corinthians

Sobre o Corinthians Milene demonstra todo seu amor pelo clube paulista. “Paixão desde sempre. Sou muito grata por tudo que vivi e vivo até hoje. Desde as embaixadas a ver o Corinthians escondido nos estádios, no meio da Gaviões ”, afirma Milene. “Comecei aos 13 e 14 anos e seguir no clube trabalhando como embaixadora. Sou  eternamente grata pelo que sempre vivi e vivo, e estou para viver”, complementa .

Ronald e Ronaldo

“É minha vida”, diz Milene sobre seu filho que agora tem 19 anos.  “Ele é o maior ensinamento da minha vida.” Ronald é fruto de seu relacionamento com o ex-jogador Ronaldo Fenômeno. Milene afirma que respeita muito seu ex-marido e será sempre uma pessoa muito importante para ela. “Tivemos um casamento que foi muito bem terminado. Fechamos um ciclo. Para sempre existirá um pai e uma mãe. Mas que ‘homem e mulher’ acabou e isso foi bem resolvido desde sempre e por isso hoje temos um respeito muito grande”, pontua.

 

 

 

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